LoRaWAN no setor da construção



Controle de estoques de materiais em obras de construção civil: antigos problemas e novas soluções

Uma dificuldade sempre presente na operação de empresas de construção civil diz respeito ao controle de seus estoques de insumos, já que se utiliza na construção civil um número muito grande de materiais, componentes e assessórios. Estima-se que, em algumas obras, os diferentes tipos e variedades de produtos chegam a catalogar mais de 13000 itens. Com esses dados, do ponto de vista das compras, há mesmo necessidade de que todos sejam devidamente registrados e identificados.


Algumas tradicionais metodologias propostas preconizam que, para controlar materiais e seus custos, é necessário considerar, a princípio, os materiais com maior peso econômico na construção, o que irá variar de acordo com a tipologia e dos processos de execução do empreendimento.


Já o controle do recebimento de materiais poderá prever diferentes mecanismos e diferentes níveis de rigor, sendo possível recorrer-se ao cadastro de fornecedores (histórico de fornecimento), à inspeção visual, à inspeção visual juntamente com a verificação geométrica, à execução de ensaios, entre outros. Com isso entende-se que a propriedades técnicas dos materiais só poderão ser constatadas mediante realização de ensaios. Assim, considerando os aspectos levantados, o peso econômico (custo de aquisição) do material, o custo com reposições e manutenção corretivas, as patologias que se tem verificado com maior intensidade, e as repercussões que a não conformidade de um determinado material pode causar, geralmente se propõe a adoção de um programa de controle de qualidade sobre os produtos que serão utilizados no canteiro de obras.



Como já seria de se imaginar, se obras em locais próximos a centros urbanos já contam com esses entraves, imagine-se o que pode ocorrer em locais ermos, de difícil acesso e longe de conexões de internet:: evidentemente, as dificuldades se multiplicam, exigindo muito mais atenção, organização e horas de trabalho das equipes envolvidas.


Atualmente, entretanto, com os benefícios advindos da Revolução 4.0 da indústria, novas soluções vêm surgindo para lidar com esses entraves.


Nesse sentido, ganha destaque o rastreamento de materiais em toda a cadeia de supply chain, o que possibilita, em primeiro lugar, o acompanhamento em tempo real desses insumos e, mais que isso, também a alimentação de sistema de inteligência artificial para realização de predição de demanda de estoque, reduzindo, por um lado, os pedidos de compra de emergência – geradores de atrasos e custos extras – e, por outro, a depreciação e perda de materiais advindas de excesso inutilizado de estoque.



O estoque, por sua vez, pode ser monitorado via tagueamento, caso se trate de produtos unitários ou, ainda, por câmeras de visão computacional, no caso dos materiais que são armazenados em pilhas.


Em se tratando de tagueamento, podemos listar como benefícios o aprimoramento na gestão de quebras de equipamento, ou até de componente se o tagueamento for a nível de componente, além da amarração contábil proporcionado, com uma melhor gestão das despesas de manutenção e depreciação de ativos, além de possibilidade de creditamento de ICMS relativos aos gastos feitos em equipamentos produtivos.


De qualquer forma, seja mediante tagueamento, ou por visão computacional, os dados gerados são automaticamente repassados a um banco de dados que, além de gerar informações sobre o estado atual do estoque, possibilita a realização da já mencionada predição de demanda.


Todos esses serviços, que dependem de uma infraestrutura de redes capaz de armazenar e transmitir informações, costumam ser impactados significativamente em locais com baixo acesso a internet, obstáculo esse que vem sendo superado sobretudo graças a inovações no ramo de internet das coisas (IoT).


Nesse contexto, ganham destaque arquiteturas de rede do tipo LPWAN (low-power wide-area network), um novo tipo de tecnologia de rádio usada para comunicação de dados sem fio pelas quais os aplicativos da Internet das Coisas e Machine-to-Machine (M2M) poderão funcionar


Um dos protocolos mais usados para operar esse sistema é o LoRaWAN, construído sobre a tecnologia LoRa e desenvolvido pela LoRa Alliance, que utiliza o espectro de rádio não licenciado nas bandas Industrial, Científica e Médica (ISM) para permitir a comunicação de área ampla e baixa energia entre sensores remotos e gateways conectados à rede

Dentre as vantagens desse protocolo, podemos citar sua ênfase na interoperabilidade, tendo sido desenvolvido para poder ser implementado em quaisquer redes independentemente de uma infraestrutura própria ou migrar de uma rede para outra independentemente do operador conectado. Além disso, apresenta alta resistência a interferência, dificuldade de interceptação do sinal, baixo consumo de potência e aumento do alcance do sinal, que pode chegar a 30 KM.


Como podemos observar, as inovações tecnológicas advindas da quarta revolução industrial apresentam soluções para superar antigos desafios da construção civil, possibilitando o controle de materiais em toda a cadeia de suprimentos em tempo real, com registro de entrada, permanência e saída de estoque automático, além de conexões Machine-to-Machine mesmo em ambientes onde não há conexão com a internet.





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